quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Aonde está o silencio

Aonde está o silêncio

Nas nossas casas, quase todos os locais silenciosos desapareceram. Para cada um que possua um quarto privativo,todos os eletro eletrônicos ali se encontram ligados no mais alto decibel que o ouvido humano possa suportar, acrescentada ainda uma bateria completa. Imaginem este cenário repetido duas vezes, quando os filhos são dois e os pais não querem que haja diferença entre eles.
Se viajamos, mesmo para cidades bem próximas, antes de sair o ônibus,os passageiros pegam seus celulares para avisar que chegarão dentro de cinquenta minutos a uma hora e pouco e, antes que o veículo chegue a seu destino os parentes ou amigos já estão ligando para confirmar a hora que devem esperá –los na rodoviária.
Enquanto isto, uns comem ( os mais gordos, certamente ) outros leem ( uns três ou quatro ), outros contam cenas das novelas em voz alta. Que loucura!
O desejo de se comunicar a qualquer preço leva a uma histeria coletiva. Nenhum momento de tranquilidade é permitido. Somente se a viagem começou muito cedo e a maioria dos passageiros está mal dormida é que se pode ter esperança de algum silêncio durante a mesma.
Como é bom relembrar o tempo em que nas casas, havia uma sala de visitas onde as pessoas conversavam serenamente, ouvindo às vezes, um piano discreto, tocado por uma tia solteirona ou por um criança com pendor para a música enquanto as outras eram mandadas brincar no quintal, depois de cumprimentarem carinhosa e educadamente as visitas.
Hoje em dia, até na igreja, o silêncio para uma reflexão é prejudicado pelas crianças menores que correm para cima e para baixo, sem que nem o padre consiga fazê-las sossegar, nem os pais, que mal as olham, como se não fizessem parte da família.
Haja psicólogos ou psiquiatras para conter tanta necessidade de comunicação oral entre nós, seres humanos.

Therezinha de Jesus de A.Cunha Redação Criativa - Prof. Ana Araujo

segunda-feira, 30 de março de 2009

A Vida Como Ela é

OFICINA DE REDAÇÃO CRIATIVA

PROF.: ANA ARAÚJO

O Dr. Rogério Marinho é um médico muito conceituado no Posto do SUS em que trabalha, num bairro proletário. Ele é pontual e atencioso com a clientela, mas toda vez que se defronta com seus problemas, sofre por não poder resolvê-los e são tantos os que aparecem no seu cotidiano!
Dentre eles, um paciente, o ODORICO, cujo nome já contém as duas palavras: dor e rico. A primeira, seu sofrimento e a segunda um contraste da sua pessoa: além de sofrido, pobre. Ele o procurava quase diariamente, queixando-se dos seus males e das dificuldades para conseguir os medicamentos receitados.
Naquele último dia, Odorico parecia estar acanhado e disse:
Dr. Rogério, me desculpe de sempre trazer-lhe meus problemas, mas prometo que esta será a última vez que o incomodo. Desta vez o aconselhei a ir a um hospital bem aparelhado, encaminhando-o mesmo a um colega especialista em sua doença, pois a medicina moderna, com tecnologia avançada é que completa o diagnóstico que, em certos casos, é ainda uma permanente questão para o médico.
Até que não se contendo, desabafou com a sua auxiliar:
- Veja só este paciente que acabei de atender: o Odorico!
Ele me atormentou tantas vezes, me pede desculpas e diz ser a última vez!
“Mas não foi a ultima vez. Todos os dias ele surgia, repentinamente, súplice e ameaçador, caminhando ao meu lado, arruinando a minha saúde, dizendo: é a última vez doutor! mas nunca era. Minha pressão subiu ainda mais, meu coração explodia só de pensar nele. Eu não queria mais ver aquele sujeito, que culpa eu tinha de ele ser pobre.”
Ao lhe entregar as amostras grátis, que sabia serem insuficientes para seu tratamento e, que Odorico deveria comprar as outras doses necessárias à sua cura, veio-me à memória o menino pobre que se formou em medicina, graças a sua família pertencente à chamada “pobreza envergonhada” da época. Seu pai trabalhava na farmácia da cidadezinha e recebia um salário que mal dava para sustentar a todos. Sua mulher com empadinhas saborosas e os três filhos que as vendiam nas redondezas, é que supriam o que faltava para eles.
Meu pai, continuou o Dr. Rogério,grande conhecedor das ervas medicinais existentes na região, preparava xaropes e mezinhas para os pobres coitados que iam à farmácia, sem dinheiro, para comprar o remédio receitado pelo doutor do posto médico, a fim de minorar-lhes o sofrimento e lhes dar um novo alento.
_ Porque nós, médicos deste posto, não mudamos nossa atuação sobre os Odoricos que nos procuram, e são tantos! Poderíamos tentar um atendimento melhor, num trabalho de equipe, em que cada doente fosse visto por todos, para desta maneira,encontrar o melhor tratamento para cada um,pensou o Dr.Rogério.

Texto escrito a quatro mãos po: Leonor Garcia Cunha e Therezinha de Jesus de A. Cunha .Nele foi inserido um parágrafo entre aspas, sugerido pela professora Ana e que deveria fazer parte do texto.

Teresópolis,24 de março de 2009

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O Melhor Lugar Para Morar

O melhor lugar para morar

Na minha infância e juventude, durante os anos 30 a50, os casarões da zona Norte do Rio de Janeiro atraíam as famílias grandes para os bairros de Vila Isabel, Maracanã e Tijuca, onde as casas possuíam peças confortáveis e ainda jardim e pomar para as inúmeras crianças das famílias brincarem, sem perigo, dentro das próprias residências.
Nos jardins os pequenos gostavam de descobrir as singelas violetas escondidas sob as folhas finas dos buquês e catar pés de hortelã para mastigar as folhas: as preferidas eram as menores pelo seu sabor meio ardido, que deixava a boca fresca e perfumada. No pomar, subir nas mangueiras altas e copadas era uma brincadeira muito apreciada pelos mais levados , que sofriam acidentes, uns leves , outros mais graves.
Com o aumento da população, apartamentos começaram a ser construídos substituindo os casarões. As famílias diminuídas pela guerra e com mais dificuldades para viver passaram a ocupar essas habitações menores.
A atração exercida pelas praias, nas quais as enormes extensões de areia produziam a alegria de viver ao ar livre em plena liberdade, provocou a migração das famílias para a beira-mar aconselhada pelos pediatras, como o melhor lugar para curar algumas doenças infantis tais como a infecção na garganta, a bronquite e a asma que muita preocupação causavam aos pais.
Esta mudança me fez criar o hábito de levar meus filhos à praia, diariamente, mesmo com o tempo diminuído pelo trabalho em casa e na escola.
Fazer longas caminhadas com a água batendo nos pés, era um prazer que poucos podiam gozar na época. Sentar nos bancos de pedra na calçada, e apreciar o horizonte onde o céu e o mar se encontravam e pareciam cair logo após sua curva,era o melhor espetáculo do entardecer.
Finalmente, a descoberta da montanha, após um percurso de duas ou mais horas de carro em estrada de terra e areia, no começo, fez-nos acreditar numa vida sem violência, num lugar onde poderíamos viver sem sustos numa casa em centro de terreno ou num apartamento com terraço, onde cultivar um jardim,era o prazer maior.
Todas estas mudanças me levaram a concluir que a melhor morada para mim é o meu próprio corpo, lugar em que deposito o amor , a dignidade, a autonomia, a saúde e a alegria de viver que gosto de compartilhar com o meu próximo, que como eu se sente templo do nosso Deus.
É neste corpo que quero morar apreciando a beleza da criação divina à minha volta , junto com meus entes queridos