Cidade Mutante
Vive-se numa cidade
E não a conhecemos
Ignoramos as mudanças
Que o passar do tempo traz.
Vivemos momentos felizes
Na companhia de amigos
Sem admirar o espetáculo em volta:
Árvores frondosas exibindo cachos
De mil cores, pendentes sobre nós.
Tanta pena! Um ligeiro adormecer
E o quadro final se dissipa sem um aceno
Toalhas de todas as cores desaparecem
Do chão, ainda quente, no parque aconchegante.
Crianças esquecem os folguedos.
Voltam tristes às salas de aula,
Pulando poças d água, abrigadas
Em grossas roupas de lã
Narizes vermelhos como as flores congeladas
Dos bougainvilles ainda coloridos.
A cidade se prepara para a hibernação
Do mesmo modo que os animais
E é preciso amá-la em sua nova fase.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Uma tarde Feliz
No dia 19 do mês de agosto de 2007, quarenta amigas e eu descemos a serra, para reviver os anos dourados da nossa estória,começados realmente, no final dos anos quarenta logo após o término da segunda grande guerra.
De 1939 até maio de 1945, nós brasileiros, embora longe dos campos de batalha, sofremos também muitas privações.
Renovada a esperança de dias melhores, os jovens da minha idade entregavam-se à alegria de viver, dançando em bailes vespertinos que se estendiam somente às 21.00h para podermos estar de vòlta à casa às 22.00h determinada pelos pais ciosos em proteger a virgindade das filhas, coisa preciosa naquela ocasião.
Vieram-me então à memória os bailes no clube Botafogo e os organizados pelo Instituto de Educação, onde estudávamos com seriedade, reservando-nos os finais de semana para dançar, namorar e tentar encontrar o futuro marido.
Era uma alegria espontânea sem necessidade do uso de bebidas alcoólicas ou drogas, relaxando o espírito para retornarmos com todo o entusiasmo às salas do Instituto de Educação.
As conversas sobre o baile duravam a semana inteira nos intervalos das aulas.
Depois dos cinqüenta anos em cinco, sonho do presidente Juscelino, mergulhamos nas trevas dos anos sessenta, setenta e oitenta, plenos de perdas e dor, que nos tornaram tristes e sem esperança, levando os menos fortes ao consumo de bebidas, drogas e toda sorte de excessos, começando uma nova era em que não se repetia a alegria dos anos cinqüenta.
É incrível como toda essa época foi revista através de um espetáculo teatral sem diálogos e apenas um cenário: um salão de baile e que se constituiu para nós numa tarde feliz.
Ao constatar minha participação nesse fragmento da nossa história, posso dizer que afinal, ao tentar formar cabeças pensantes que refletiam sobre os acontecimentos vividos a fim de melhorar o país em que nasceram, contribuí um pouco para o crescimento do povo brasileiro.
De 1939 até maio de 1945, nós brasileiros, embora longe dos campos de batalha, sofremos também muitas privações.
Renovada a esperança de dias melhores, os jovens da minha idade entregavam-se à alegria de viver, dançando em bailes vespertinos que se estendiam somente às 21.00h para podermos estar de vòlta à casa às 22.00h determinada pelos pais ciosos em proteger a virgindade das filhas, coisa preciosa naquela ocasião.
Vieram-me então à memória os bailes no clube Botafogo e os organizados pelo Instituto de Educação, onde estudávamos com seriedade, reservando-nos os finais de semana para dançar, namorar e tentar encontrar o futuro marido.
Era uma alegria espontânea sem necessidade do uso de bebidas alcoólicas ou drogas, relaxando o espírito para retornarmos com todo o entusiasmo às salas do Instituto de Educação.
As conversas sobre o baile duravam a semana inteira nos intervalos das aulas.
Depois dos cinqüenta anos em cinco, sonho do presidente Juscelino, mergulhamos nas trevas dos anos sessenta, setenta e oitenta, plenos de perdas e dor, que nos tornaram tristes e sem esperança, levando os menos fortes ao consumo de bebidas, drogas e toda sorte de excessos, começando uma nova era em que não se repetia a alegria dos anos cinqüenta.
É incrível como toda essa época foi revista através de um espetáculo teatral sem diálogos e apenas um cenário: um salão de baile e que se constituiu para nós numa tarde feliz.
Ao constatar minha participação nesse fragmento da nossa história, posso dizer que afinal, ao tentar formar cabeças pensantes que refletiam sobre os acontecimentos vividos a fim de melhorar o país em que nasceram, contribuí um pouco para o crescimento do povo brasileiro.
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
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